28 de fevereiro de 2009

As Sacolas Plásticas

(Foto: Sacolas no Rio Tietê - Hélvio Romero/AE)

País produz 18 bilhões de sacolas plásticas 

Cidades buscam alternativas para embalar produtos 

Artigo: Respeito é bom, a dona da vida gosta e merece

ÁGUA
(Foto: Rio Capivari, Veja SP)

Respeito é bom, a dona da vida gosta e merece
Por Edmilson Silva*

Ao poetizar uma das vertentes teóricas sobre o surgimento da vida, Gilberto Gil nos conduzir a celebrar que a água é a dona da vida. Nada mais certo do que esta verdade. Nós aprendemos bem cedo nos bancos escolares que 70% da superfície do planeta Terra é composto por água, o que nos leva a intuir o quão é precioso esse elemento, que nos mata a sede, é indispensável à higiene, e não pode faltar no preparo dos alimentos e dos medicamentos.

Poucos são os processos industriais que não utilizam a água, mas a água está cada vez mais sendo mal usada, quando não desperdiçada. Para ficar apenas em um exemplo, basta ver a quantidade de porteiros e donas de casa que, toda manhã, chova ou faça sol, ficam quase horas a “varrer” as calçadas com o chamado líquido precioso. Em frente ao Shopping Tijuca, no Rio de Janeiro, por volta das 6h, o zeloso dono de um quiosque que vende cachorros-quente noite e madrugada, limpa os arredores do estabelecimento dele com água. Todo santo dia. A conta que ele paga à concessionária deve ser bem alta.

Não há como não contrapor esse desperdício com a ameaça de que o Mar Ártico vai secar, fruto de estudos científicos, assim como pensar no quão desigual é a distribuição da água aos moradores da Terra, principalmente a maioria dos seus habitantes, os que ocupam as periferias das grandes cidades ou as regiões áridas do planeta. Obrigados a acumular a pouca água que conseguem, e expostas à falta de qualidade disponível, muitas dessas pessoas acabam adoecendo e mesmo morrendo por conta das doenças de veiculação hídrica. Mas este, convenhamos, é um assunto que envolve falta de saneamento básico, problema crucial, principalmente nos países em desenvolvimento, e deve ser tratado separadamente, em outro artigo.

Antes de se concretizar a ameaça do Mar Ártico secar, podemos constatar o adoecimento e a morte de muitos rios, sufocados, assoreados, asfixiados que estão sendo pelos agrotóxicos utilizados em larga escala nas megas plantações, pelos resíduos industriais que são carreados até seus leitos e também pelos esgotos. Sem falar, é claro, no lixo comum, e mesmo o incomum - quem nunca viu sofás inteiros ou partes dele em um rio? - lançado contra os cursos d’água.

Fato é que a água está, simultaneamente, ficando escassa e perdendo qualidade, à medida que se consolida mais e mais na condição de commoditie cara. Quanto euros custa uma garrafa de Perrier? Ouve-se falar que grandes grupos econômicos são donos de pedaços extensos das regiões geladas da Terra, a fim de garantir água para comercialização, ao mesmo tempo em que fica-se sabendo do degelo dos pólos. Não há um dia sequer em que não se fale sobre o aquecimento global e suas conseqüências, e, infelizmente, em contrapartida, pouco se faz para evitá-lo.

E com a questão da água não é diferente. Está aí, do alto de seu século e dois anos de idade, Dona Cano (Claudionor Vianna Telles Veloso), a mãe de Caetano e Maria Bethânia, que não me deixa mentir. Dedicou-se, entre outras atribuições pela manutenção da cultura genuína do Recôncavo da Bahia, a lutar pela preservação do Subaé, mas quem for hoje a Santo Amaro da Purificação, cidade próxima a Salvador, verá a tristeza que é a morte de um antes vigoroso rio, em que era realizada festa com procissão para Nossa Senhora dos Navegantes e se podia fluir com saveiros.

Assim como o Subaé, muitos outros rios brasileiros estão ficando à míngua, produzindo as conseqüências nefastas associadas à falta de qualidade das águas, tudo por conta da inexistência de políticas públicas associadas à manutenção das bacias hidrográficas de um país em cujo subsolo está boa parte de um dos maiores aqüíferos do mundo. Ou será que por sabermos da existência do Aquífero Guarani, não estamos nem aí para preservar a qualidade e a quantidade da água que nos resta?

É lamentável constatar que a atuação, pelo menos a que ganha visibilidade, do Ministério do Meio Ambiente, seja priorizada pela questão do desmatamento da Amazônia, pouco se sabendo o que vem sendo e se está sendo feito algo em favor das nossas águas.

Águas que tem nos abastecido com energia elétrica, ajudado a alimentar as populações com os frutos da terra e da água doce também, águas que precisam ser respeitadas, preservadas, antes que, dentro de futuro breve, esse bem vital fique cada vez mais caro e se agudize, ainda mais, a questão de sua utilização. Muita e de boa qualidade apenas para os ricos. Respeitada a opção do mercado, a água é um bem natural e a todo cabe o respeito ao elemento que nos mantém vivos, afinal, assim como a Terra, 70% do planeta do nosso corpo também são constituídos, adivinha por quê?

* Edmilson Silva é jornalista, especializado em Ciências. É colunista da revista Plurale.

25 de fevereiro de 2009

Sumiço de Seguidores - Bug do Blogger

A quem já segue o blog, solicitamos que clique em "PARE DE ACOMPANHAR" aqui ao lado, e em seguida, volte a acompanhar para que o número normalize.

E, aproveitamos a oportunidade para convidar os visitantes a nos ACOMPANHAR OU SEGUIR (FOLLOW) também.

É só clicar AQUI ou ir ali ao lado, entre a foto da Curva do Rio e o título "ASSINAR".

Agradecemos a atenção e a colaboração!

5º Fórum mundial da água discute as preocupações do planeta

Mais de dez mil pessoas devem comparecer à Conferência de Istambul que destaca as questões globais sobre a água.

O 5º Fórum mundial da água, o maior evento mundial relacionado com a questão da água, vai acontecer em Istambul, Turquia, entre 16 e 22 de março de 2009, para levar a crise da água em todo o mundo para a agenda internacional. Realizado a cada três anos, o Fórum reúne participantes de todos os lugares em busca de soluções sustentáveis para os desafios mundiais da água. Com mais de três mil organizações participantes e mais de dez mil visitantes, o Fórum desse ano vai incluir chefes de estado internacionais, representantes das Nações Unidas, ministros, parlamentares, autoridades locais e outros agentes governamentais, além de profissionais do setor, ativistas e outras partes interessadas. Durante o Fórum será divulgado o Relatório sobre desenvolvimento mundial da água, das Nações Unidas, com análises sobre os recursos de água doce.

De acordo com o Programa ambiental das Nações Unidas, dois terços do planeta enfrentarão condições de tensão com relação à água em 2025, se os padrões de consumo atual continuarem. A principal meta do 5 Fórum Mundial da água de Istambul em 2009 é motivar ações que melhorem a gestão dos recursos hídricos em todo o mundo, disse o Prof. Dr. Oktay Tabasaran, secretário geral do Fórum. Isso só pode ser feito com a conscientização da importância das questões relativas à água. No entanto, a conscientização global precisa ser seguida por ações, tais como formulação de leis e financiamento, que são promovidas através do Fórum.

Nesse ano, através da Iniciativa fórum verde, o Fórum mundial da água plantará uma árvore para cada participante. Adicionalmente, o Consenso da água de Istambul identificou as cidades pioneiras unidas num compromisso para a gestão dos recursos hídricos urbanos diante das mudanças globais. Entre essas cidades estão Brisbane, Austrália; Stuttgart, Alemanha; Viena, Áustria; Paris e Estrasburgo, França; Roterdam, Países Baixos; Buenos Aires, Argentina; Lausanne, Suíça e Istambul, Turquia.

A Turquia oferece um ambiente único para o Fórum deste ano em razão da sua posição geográfica como encruzilhada entre continentes, regiões, culturas e civilizações, em sintonia com o tema do Fórum: Superando os divisores de água.

Fórum mundial da água - O Fórum mundial da água é o local de encontro internacional para compartilhamento de soluções concretas para as questões da água.

Site: www.worldwaterforum5.org 
Fonte: Tratamento de Água

Artigo: MAR MORTO - Depois do Carnaval...


(Foto: Viva Terra)

Passada a ressaca do carnaval, terminam pra valer as férias. Milhões de brasileiros se deliciaram com as belezas do litoral. A areia da praia se acalmará. O mar, tristemente, estará mais poluído.

Embalagens, sacos plásticos, garrafas, fraldas descartáveis, camisinhas, tudo quanto é porcaria da civilização tende, desgraçadamente, a rumar para o oceano. Os dejetos chegam nadando nas águas da chuva e dos rios, eles próprios quase sempre enegrecidos e mal cheirosos. Basta conferir algumas capitais brasileiras situadas na orla.

Quem viajou ao Nordeste ultimamente pode testemunhar a tragédia crescente da poluição marítima. Em Maceió, por exemplo, a bela praia de Jatiúca sofre com a feia agressão ambiental. Turistas, muitos deles estrangeiros, se arrependem de deixar as piscinas do hotel para caminhar na areia salgada. Seus passos trombam com pedaços de boneca, tubos de pasta de dente, potes de macarrão barato e, sempre, muitos materiais plásticos, de todas as cores, formatos, texturas, tamanhos, finalidades. Uma barbaridade.

Como se não bastasse o lixo, algas escuras se prendem nos detritos sobre a praia, formando um esquisito encaracolado que se enrosca no pé do cidadão ao caminhar. Ou no pescoço do fulano, caso ele se arrisque a dar um pulo nas ondas do mar. Dá até dó dos teimosos pescadores, que não se cansam de limpar suas redes e anzóis dessa gosma mal cheirosa que turva a natureza.

Eutrofização. Assim os cientistas denominam tal fenômeno. Potássio, fósforo, nitrogênio, enxofre: os elementos químicos presentes em detergentes, restos de alimentos, óleo de cozinha, na urina e nas fezes humanas, nos fertilizantes agrícolas, formam um caldo de cultura favorável ao crescimento dos organismos aquáticos. A poluição, guardado limites, serve como adubo para as algas marinhas.

Os oceanos, em todo o mundo, se emporcalham de sujeira e se contaminam com a poluição. Afora os desastres com navios petroleiros - 4,5 milhões de toneladas de petróleo vazam por ano alhures - verdadeiras "zonas mortas" estão se constituindo distantes da costa, acumulando detritos. Elas se formam devido ao movimento circular das correntes marinhas. Parte do lixo se deposita no fundo do mar. O restante flutua ao sabor dos giros oceânicos.

As primeiras "zonas mortas" foram descobertas na década de 1970, na costa Leste dos EUA e nos fiordes escandinavos. Hoje já se contam cerca 200 dessas áreas hipóxicas, quer dizer, com reduzido oxigênio, tenebrosamente espalhadas por todos os continentes. A proliferação exagerada de algas nesses sujos locais consome o oxigênio e ameaça o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

A poluição dos oceanos recebeu destaque recente na mídia, devido à grande mancha de lixo formada no Pacífico, a dois mil quilômetros do litoral do Havaí, no sentido da Califórnia. Trata-se do maior depósito marinho de entulhos que se conhece. Estima-se que o volume de garrafas, plásticos, redes de pesca, roupas, entre outros, alcance 3 milhões de toneladas nessa grande mancha. Algo como 500 mil caminhões carregados de lixo boiando na água. Horror da civilização.

Mar Morto. Ensina-se desde a escola fundamental que os peixes não sobrevivem naquele estranho mar do Oriente Médio. Alimentado pelas águas do bíblico rio Jordão, a elevada salinidade - dez vezes superior ao nível normal dos oceanos - impede ali a vida. Sua agonia aumenta, já que nos últimos 50 anos consta ter ele perdido um terço de sua superfície, secando sua maré. Um desastre ecológico irreversível no berço do cristianismo.

As "zonas mortas" dos oceanos, porém, podem ser combatidas e evitadas. Basta estancar a sujeira que nele se deposita. A começar pela limpeza das praias. O serviço de limpeza urbana das cidades litorâneas do Brasil deixa a desejar. Não é caro, nem difícil manter limpas as praias. Trata-se de querer fazer, priorizar. Mas a administração pública apenas agora começa a prestar a devida atenção na agenda ambiental. E a maioria da população, ainda sofrida com as durezas do cotidiano, mal conhece a crise ecológica. Falta, assim, decisão política a favor da preservação da natureza.

O poder público municipal, a quem cabe a tarefa da limpeza urbana e do tratamento dos esgotos domésticos, costuma empurrar com a barriga a solução dos antigos problemas ambientais. As notícias, todavia, como essas da morte dos mares, tornam-se assustadoras. Já não bastavam os vergonhosos lixões a céu aberto do interior, agora são os oceanos que se entopem dessa fétida mistura de lixo e alga. Vida e morte.

O pessoal da cidade grande, com certo preconceito, julga os agricultores caipiras. Pode ser uma vantagem. Lá na fazenda, porém, o contato direto com a natureza permite uma tomada de consciência mais rápida sobre o drama ecológico que afeta o mundo. E nessa matéria do lixo, o campo tem uma lição a ensinar.

Também na roça se acumulavam montanhas de embalagens, só que de agrotóxicos. Ninguém sabia o que fazer com tais perigosos vasilhames, frascos e galões, de vidro ou com duros plásticos, coloridos conforme o marketing das empresas que vendem todo tipo de veneno agrícola. Há cerca de 15 anos, todavia, com a concordância de todo o setor agrícola, surgiu a solução.

Hoje o Brasil é líder mundial (acima de 90%) no recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos. A lei estabelece: quem vende se obriga a receber de volta o resíduo gerado. As empresas e as cooperativas organizaram esquemas com logística adequada. Os agricultores foram conscientizados. Demorou um pouco, mas funcionou uma maravilha.

Dá vontade de convidar uns caipiras para ajudar a salvar da agonia os oceanos. 

Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, no dia 24/02/2009.


11 de fevereiro de 2009

MÚSICA: Imagens

Guilherme Arantes dá o recado:

Imagens

Imagens do absurdo não se apagam mais,
a nova consciência vai se revelar
Tão diferente na maneira de pensar,
Que a gente reconhece só pelo olhar.

A força nasce e cresce em você também.
esquece da retórica vazia e vem,
defender a natureza,o pouco que ainda resta.
Dizer pra essa gente que a festa acabou!

O homem predador não pensa no que faz,
desmata, queima,estraga a vida e quer viver.
Com tanta estupidez e crime no poder,
A última esperança não pode morrer!

Que a juventude assuma logo o seu lugar.
E saiba que o perigo agora é pra valer.
Sinta que a indiferença vai doer em sua carne.
Matar os seus filhos e tudo o que sonhou.

Como aceitar e fingir que não vê?
Como calar esse grito que explode em você?
Como aceitar e fingir que não vê?
Como abafar esse grito tão claro?

O velho jogo sujo não engana mais
A nova consciência vai se rebelar
Tão diferente na maneira de pensar,
Que a gente reconhece só pelo olhar!



Clipe da Música


10 de fevereiro de 2009

RJ: Projeto Lixão Zero beneficiará quatro municípios

(Foto: Divulgação)


Moradores de Paracambi, Mendes, Paulo de Frontin e Japeri  não precisarão viver mais ao lado do lixão 

Paracambi

A lavadeira Maria de Lourdes, 53 anos, moradora no município há pelo menos 30 anos, é uma entre milhões de pessoas no Brasil que sofrem com os depósitos irregulares de lixo, os conhecidos lixões. E uma entre algumas milhares que poderão ser beneficiadas com a retirada do lixão das cidades de Paracambi, Japeri, Mendes e Paulo Frontin com a criação do aterro sanitário através do programa Lixão Zero.

 “Não tenho nem mais olfato, de tanto que isso cheira mal. Não posso deixar panela em cima da mesa por causa da quantidade de moscas, sem falar em ratos e baratas. Não tenho para onde ir, então tenho que aguentar isso”, reclama Maria de Lourdes.

O compromisso da retirada do lixão desta vez partiu da secretária estadual de Meio Ambiente, Marilene Ramos, após visitar o lixão de Paracambi juntamente com os prefeitos de Paracambi, Tarciso Pessoa, e de Mendes, Rogério Rientes, na última semana.

Para dar continuidade aos trabalhos, Marilene Ramos marcou uma reunião com os prefeitos dos quatro municípios beneficiados, sexta-feira, para acertar os detalhes do novo aterro sanitário. 

Marilene afirma que a cidade de Paracambi não tem mais condições de receber as 30 toneladas de lixo diárias, assim como acontecem nos outros municípios, em proporções diferenciadas. “Acredito que até o fim de 2009 as cidades já estarão livres dessa lixeira. Serão investidos pelo menos R$ 8 milhões do Fecam no projeto”, cita.

Segundo Leonor Dias, 43 anos, a decisão da secretária veio em boa hora. “Não temos mais condições de ficar com uma área 100% urbana com toneladas e toneladas de lixos diários. Paracambi precisa resolver essa situação urgentemente”, pede.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Paracambi, empresário Gil Garritano, a necessidade dessa obra é emergencial. “Precisamos o mais rápido possível resolver essa questão. Aquela área onde hoje funciona o lixão pode muito bem se tornar uma extensão produtiva economicamente entre o Centro de Paracambi e o bairro Lages”, diz Garritano.

Segundo o prefeito Tarciso Pessoa, através de sua assessoria, sexta-feira estará na Secretaria de Meio Ambiente, juntamente com os outros prefeitos, para assinar o termo para o início das obras da construção do Aterro Sanitário que ficará entre os municípios de Paracambi e Japeri.

Na TV: Série especial sobre o consumo de água no Brasil


(Foto: JN Especial)

Teve início ontem (9), no Jornal Nacional da Rede Globo, uma série especial sobre consumo de água no Brasil. 

Seguem os links:


9 de fevereiro de 2009

Licenciamento Ambiental no Sul Fluminense


Desde que o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) foi criado – com a união da Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente (Feema), da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF) - os processos de licenciamento ambiental, que antes podiam levar anos para serem concluídos, passaram a sair com mais rapidez. É que alguns municípios passaram a ter autonomia na concessão do licenciamento, agilizando o processo.

Além de facilitar o acesso dos usuários, pois as próprias secretarias e coordenadorias de Meio Ambiente das prefeituras é que expedem as licenças, a autonomia municipal ainda trouxe a vantagem aos usuários de enfrentarem menos burocracia, já que os documentos - que antes eram expedidos pela Feema, o Ibama, a Serla e o IEF - foram unificados.

No entanto, não são todas as cidades que possuem permissão para expedir as licenças. Na região do Médio Paraíba os municípios habilitados são Volta Redonda, Porto Real, Resende, Piraí, e em breve Barra Mansa. Os demais municípios continuam tendo que utilizar os serviços do Inea, mas com um diferencial. Os empresários não precisam ir mais à sede do órgão no Rio de Janeiro, já que o órgão possuiu uma representação em Volta Redonda: a Agência Regional do Médio Paraíba (ARMP).

A facilidade no atendimento e a rapidez nos serviços vêm agradando não só ao Estado, que descentralizou a demanda de licenciamento, mas em especial, aos empresários. A possibilidade de desburocratização foi um dos pontos destacados pelo presidente do Sicomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Volta Redonda), Antônio Luzia Borges.

Para o empresário, a facilidade em conseguir o licenciamento é uma vantagem para a região, e um “diferencial em tempos de crise”. 

-
Para os empresários, sejam eles de qualquer ramo, a mudança na concessão ficou ótima. A desburocratização diminui as dificuldades para se abrir uma microempresa e é um atrativo a mais para a região - opinou ele, afirmando que um dos setores que mais foram beneficiados com a mudança foi o de serviços.

Vantagens no serviço 

Em Volta Redonda, o secretário de Meio Ambiente, Carlos Amaro, explicou que podem ser licenciadas pela prefeitura cerca de 32 atividades e o procedimento, que antes podia durar até um ano, passou a ser feito, em alguns casos, em até 48 horas.

- Estamos realizando o licenciamento desde outubro na cidade, com uma média de oito atendimentos por mês, e o grau de satisfação das pessoas que nos procuram aumentou muito. Só o fato de não terem de se deslocar até o Rio para fazer o requerimento é um grande avanço - salientou.

Na cidade de Resende, a possibilidade de o município conceder a licença acontece há mais tempo e a prefeitura proporciona aos usuários outra vantagem. 
Como explicou o presidente da Agência de Meio Ambiente, Paulo José Fontanezzi, o diferencial na concessão das licenças na cidade tem sido o monitoramento das atividades. 

- Pelo acordo firmado com o Estado, os municípios poderiam fiscalizar a atividade e conceder a licença, mas em Resende vamos além. Também monitoramos as atividades que são desenvolvidas pelas empresas. Nossa intenção é lançar um selo de “Posto Legal” para informar aos usuários das empresas, que mesmo depois de instaladas elas continuam protegendo o meio ambiente - disse ele, afirmando que nos próximos meses o selo já deverá ser lançado, inicialmente nos postos de gasolina.

Ecologista também elogia mudança

Se por um lado a agilidade do serviço é o ponto destacado pelos empresários, os critérios de avaliação para a concessão das licenças é o ponto elogiado por ecologistas. Luís Carlos Araújo, especialista em Ecologia, afirmou que o fato do Estado ter dado às secretárias municipais o encargo de vistoriar e licenciar os empreendimentos deixará a avaliação, além de mais rápida, mais rígida.

- Claro que a análise vai depender da política local, mas ao que parece a concessão não deixou de avaliar os critérios essenciais de proteção ao meio ambiente e podem até ser mais rígidos, já que há um interesse maior do município em proteger a cidade de danos. A meu ver o sistema é positivo - avaliou.

Outra vantagem apontada pelo ecologista é a diminuição de irregularidades ambientais. “Sem as devidas licenças um empreendimento, por menor que seja, na teoria não poderia funcionar. No entanto, o que víamos antes é que, por causa da demora na emissão destes documentos, existiam muitas situações irregulares. Com a rapidez no processo a ilegalidade deverá diminuir”, previu ele. 

A lista de atividades para as quais os municípios estão habilitados a conceder licença encontra-se no site do Inea: www.inea.rj.gov.br.

8 de fevereiro de 2009

De Davos: Água potável pode acabar em menos de 20 anos

(Foto: Ecodebate)



O mundo corre um grave risco de sofrer com a falta de água doce em menos de 20 anos, em consequência do aumento constante da demanda, que cresce em ritmo mais rápido que a população mundial; O alerta está em um relatório publicado no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), que terminou no domingo (1º).

Em menos de 20 anos, a falta de água poderá fazer com que Índia e Estados Unidos percam a totalidade de suas colheitas”, afirmam os autores do estudo, destacando que, paralelamente, a procura por alimentos explodirá. 

Reservas de água potável se esgotarão em menos de 20 anos, alerta um relatório publicado no Fórum Econômico Mundial, na Suíça

Segundo o relatório, muitos lugares do mundo estão a ponto de esgotar suas reservas de água, sobretudo em consequência de uma política especulativa por parte dos governos, ao longo dos últimos 50 anos.

No futuro, o mundo não poderá simplesmente administrar a questão da água como tem feito no presente”, aponta o texto. Cerca de 40% dos recursos aquíferos dos Estados Unidos são destinados à produção energética, enquanto apenas 3% vão para o consumo doméstico.

As necessidades de água para produzir energia devem aumentar 165% nos Estados Unidos e 130% na União Europeia, de acordo com o estudo.

O relatório também calcula que, no atual ritmo de derretimento, a maioria das geleiras do Himalaia e do Tibet terão desaparecido até 2100, e que 70 grandes rios do mundo secarão devido aos sistemas de irrigação para a agricultura.

O segredo da água de Nova York

É uma experiência consolidada, que já inspirou projetos em vários pontos do mundo, inclusive o de Extrema, em Minas Gerais. Veja como funciona.


Leia o texto completo da reportagem no site do programa Globo Rural.

Vital Brazil planeja construção de museu científico


A comunidade científica de Niterói e do Estado do Rio de Janeiro está mais integrada do que nunca. Na última semana, foi realizado um café da manhã no Instituto Vital Brazil (IVB) para estreitar laços e discutir os caminhos da ciência fluminense. A pauta mais debatida foi o projeto de revitalização do prédio do IVB, com a criação do primeiro museu científico do estado.

O café da manhã reuniu o presidente do instituto, Antônio Werneck; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Niterói, José Raymundo Martins Romeo; o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), Silvio Galvão; e o presidente do Departamento de Recursos Minerais do Rio de Janeiro (DRM-RJ), Flavio Erthal; e seus assessores, entre outros.

A ideia da construção do museu, apresentada pelo presidente do IVB, passa pela instituição de um ambiente dentro do instituto para uma exposição permanente com animais peçonhentos vivos e empalhados, além das formas de combater e prevenir a intoxicação pelo veneno. A concepção do museu deverá contar, ainda, com um espaço para a história da criação dos soros e com diversas atividades lúdicas.

Werneck fez questão de frisar que, em conversa com autoridades da área, averiguou que o estado possui onze museus, mas nenhum científico.

- Será uma inovação para o Rio de Janeiro, que poderá trazer muitos benefícios à cidade de Niterói - enfatiza o presidente do instituto. De acordo com a diretoria do Vital Brazil, o custo para construção do museu será em torno de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões, sendo que o IVB pode arcar apenas com R$ 1 milhão. O objetivo é que a obra seja finalizada ainda em 2009, em comemoração aos 90 anos de existência do instituto.

A aprovação e a animação diante do projeto do museu foram unânimes entre os convidados do café da manhã. O secretário de Ciência e Tecnologia, assim como o do DRM e o da Pesagro, demonstrou seu apoio à ideia, e fez questão de deixar claro que o instituto poderia contar com sua secretaria para ajudar a arrecadar fundos para a realização do projeto.

Órgão da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, o Instituto Vital Brazil (www.ivb.rj.gov.br) é um dos 18 laboratórios oficiais brasileiros e um dos três fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos para o Ministério da Saúde, que os distribui por todo o Brasil. 

Links Links Links

Para ler na íntegra, clique no título na notícia:


Maioria dos jovens não sabe proteger o meio ambiente
Seis em cada dez jovens brasileiros não sabem o que significa ou nunca ouviram falar na palavra sustentabilidade. Ainda assim, a maior parte deles acredita que se preocupa mais com o meio ambiente do que a população em geral, as empresas e o governo. Essa preocupação, porém, nem sempre se reflete em ações concretas. Os dados fazem parte do Dossiê Universo Jovem, produzido pela MTV Brasil. A pesquisa também identifica diferentes perfis quanto à maneira de o jovem encarar o seu papel diante da urgência da preservação.


Amazônia Azul...uma ova!
De Frederico Brandini
Quem se lembra de algum capítulo de livro ou apostila de Geografia do ensino médio que desse mais detalhes sobre as características costeiras e do mar territorial? Como se formam os estuários, as lagoas costeiras ou as praias? Qual o mecanismo que provoca as marés ou as ressacas? Como se formam as ondas? Como é e qual a importância da biodiversidade marinha?

Fonte: O eco

O Sistema de Alerta de Enchentes operado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Secretaria do Ambiente, vai ser expandido. Hoje, esse é considerado o instrumento disponível mais eficaz de comunicação às autoridades - prefeituras e defesas civis – e à população da ocorrência de cheias no estado.

Fonte: JB Estado


Agroecologia atrai produtores franceses a Casimiro de Abreu
No próximo sábado,  o município receberá um grupo de 30 produtores franceses que vão visitar e conhecer as experiências agroecológicas desenvolvidas pela cidade, através do incentivo da Secretaria de Agricultura e Pesca. 

Fonte: JB Estado

Especialista diz que mudança da Usina de Jirau pode causar impactos irreversíveis ao meio ambiente
A mudança do local da construção da Usina Hidrelétrica de Jirau no Rio Madeira pode causar danos irreversíveis para a biodiversidade da área. Segundo o professor de Planejamento de Sistemas Energéticos da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Arthur Moretti, não foram realizados estudos prévios sobre os riscos para o ambiente do novo local.

Fonte: Agência Brasil

Greenpeace critica previsão do governo de aumento do uso de termelétricas no país
A intenção do governo de diminuir a participação das hidrelétricas na matriz energética brasileira e aumentar a quantidade de energia gerada por termelétricas, prevista no Plano Decenal 2008/2017, apresentado hoje (5), não agradou a organização não-governamental Greenpeace, defensora do meio ambiente
Fonte: Agência Brasil

Greenpeace lança documento que propõe uso de energias renováveis
O Greenpeace lançou na tarde de hoje (6) um documento que propõe a utilização de energias renováveis no país, especialmente nos parques industriais. O texto foi anunciado durante o seminário realizado pela ONG em parceria com o Fórum Cearense de Mudanças Climáticas e Biodiversidade. O evento ocorreu na embarcação do Greenpeace, a Artic Sunrise, que chegou ao Porto de Mucuripe, em Fortaleza (CE), no final da tarde de ontem (5).

Fonte: Agência Brasil

7 de fevereiro de 2009

RJ: Prefeitura de Barra Mansa lança projetos ambientais


Visando dar retomar os projetos ambientais do município, a prefeitura de Barra Mansa divulgou nesta sexta-feira, dia 6, 20 programas da Secretaria de Meio Ambiente. Segundo o secretário, Marco Arthur da Silva Chiesse, o setor tem um grande desafio pela frente.

- Estamos trabalhando bastante na retomada dos projetos da Secretaria e na implantação de outros programas igualmente importantes. Além disso, buscamos parcerias com empresas e a comunidade para dar seguimento aos projetos e melhorar a qualidade de vida da cidade. Nosso maior desafio é trabalhar a conscientização e a educação ambiental - explica Marco Chiesse.

Ainda de acordo com o secretário, a secretaria está engajada no projeto piloto de Controle de Erosão da Bacia do Rio Barra Mansa, que visa tratar os mais de 500 pontos de erosão existentes no rio atualmente.

- Além deste projeto piloto que vai recuperar a nascente do Rio Barra Mansa, vamos implantar o Centro de Educação Ambiental dentro do Parque Ecológico no bairro, Saudade. Temos um recurso de R$ 300 mil do Ministério do Meio Ambiente e R$ 75 mil de contra-partida do município - acrescenta o titular da pasta.

Outros projetos que serão retomados este ano são: o 'Ecoclube', uma parceria com as escolas no desenvolvimento de programas ambientais com os alunos, e o 'Amigos dos Carnívoros', atuando na preservação da espécie da onça pintada que se encontra em extinção no Estado do Rio de Janeiro. Além disso, a Secretaria vai receber R$ 37 mil de ICMS Verde e buscar atender outros requisitos para conseguir aumentar o valor do imposto e investir ainda mais em programas ambientais.
6 de fevereiro de 2009

Volta Redonda: Reserva Estratégica de Água


O Parque Natural Municipal Fazenda Santa Cecília do Ingá, localizado próximo ao Bairro Santa Cruz, em Volta Redonda, pode ser restaurado e transformado em uma reserva estratégica de captação de água. A ideia surgiu durante audiência pública convocada pela vereadora Neuza Jordão (PV) – atual presidente do Legislativo - em dezembro do ano passado para debater a situação do rio Paraíba do Sul após o acidente ecológico provocado pela empresa Servatis, de Resende. Preocupado com as consequências do vazamento de produtos químicos, o integrante do PV e funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sílvio Alves apresentou a sugestão do município criar uma captação alternativa de água. Alves afirmou que a ideia de se construir uma captação de água no Parque do Ingá é antiga, mas ganhou relevância após o acidente ambiental ocorrido em novembro de 2008, em Resende. 

- Apresentamos este projeto na audiência pública realizada na Câmara de Volta Redonda ano passado por Neuza. Após o término da audiência criou-se um grupo de trabalho e fomos, acompanhados do diretor do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), Paulo Cezar de Souza e da vereadora apresentar o projeto ao prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB), que o considerou tão importante que uma das primeiras ações do seu governo foi assinar um decreto criando o grupo de trabalho - afirmou.

Alves lembrou que a primeira captação de água da cidade de Volta Redonda foi no Parque do Ingá. Com o crescimento da cidade, foi preciso captar água do Rio Paraíba do Sul e a captação antiga foi suspensa. “Sozinha, essa fonte não seria capaz de abastecer Volta Redonda, mas seria uma alternativa em caso de acidentes ambientais. Por isso, a importância de dragá-la e recuperar a mata ciliar”, explicou, destacando ainda que o local é a maior reserva ecológica municipal da região, com 211 hectares e é pouco conhecida pela população. 

Apoio do Legislativo 

A presidente da Câmara disse que o Legislativo considera vital a iniciativa e vai apoiar o projeto. - Volta Redonda vai ganhar um parque restaurado, uma nova alternativa em captação de água. Poderemos, com isso, associar turismo ecológico à maior qualidade no serviço de água. O desenvolvimento sustentável é o que buscamos - destacou Neuza.
Fazem parte do grupo que prepara o relatório, além de Sílvio e do Diretor do Saae, Paulo Cezar de Souza: Carlos Amaro (secretário de Meio Ambiente), Luiz Carlos Rodrigues, o Imperial (coordenador da Vigilância Sanitária), Antar Nader (procurador do Saae), Carlos Macedo Costa (secretário de Administração) e Patrick James Kent (engenheiro do Saae).
5 de fevereiro de 2009

MATA ATLÂNTICA: Conservação ainda mais prioritária

Rã-ferreiro (Hypsiboas faber) foi uma das espécies usadas no estudo para identificação de regiões estáveis na Mata Atlântica.

Cristiane Prizibisczki 

Se os remanescentes de Mata Atlântica que cobrem nacos dos estados da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais (o chamado Corredor Central) já eram importantes em termos de conservação, com novo estudo realizado por pesquisadores norte-americanos e brasileiros ele ganhou ainda mais importância. O trabalho, desenvolvido pela Universidade da Califórnia em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), mostrou que a biodiversidade da região é muito maior do que se imaginava, apresentando-se como ponto mais do que estratégico para ações de conservação.

O estudo, que deu origem ao artigo Stability Predicts Genetic Diversity in the Brazilian Atlantic Forest Hotspot(Estabilidade prevê Diversidade Genética no Hotspot da Floresta Atlântica Brasileira, em tradução livre), prova, pela primeira vez, que os remanescentes de Mata Atlântica que vão do sul da Bahia até o Espírito Santo mantiveram-se contínuos durante milhares de anos, inclusive na última era glacial, o que possibilitou o acúmulo de mutações genéticas nas espécies que por lá habitaram. Em outras palavras, o Corredor Central é um grande berço de novas formas de vida.

Para se chegar a este resultado, os pesquisadores realizaram análises baseadas em estudos genéticos e simulações de condições climáticas. O primeiro passo foi determinar qual espécie seria usada. Os principais critérios utilizados para a escolha foram ampla distribuição na Mata Atlântica e disponibilidade de dados catalogados. Ao final, foram determinadas três espécies de rãs: a perereca-verde (Hypsiboas albomarginatus); a perereca propriamente dita (Hypsiboas semilineatus), e a rã-ferreiro (Hypsiboas faber).

“Anfíbios são excelente bio-indicadores. Assim como é possível estudar como eles respondem a mudanças ambientais atuais, podemos também utilizar seu DNA para entender como responderam a mudanças ambientais do passado. Foi por isso que resolvemos usar dados genéticos e de ocorrência de anfíbios brasileiros para investigar como climas pretéritos influenciaram na distribuição geográfica das espécies de ampla distribuição na Mata Atlântica”, explica Ana Carolina Carnaval, autora do estudo.

Depois de escolhidas as espécies, os pesquisadores levaram cerca de um ano e meio colhendo tecidos em diversas instituições, para ter uma amostragem representativa de toda a Mata Atlântica e realizar o sequenciamento do genoma das amostras. A etapa seguinte foi buscar dados de 43 porções da mata, como variação de temperatura, relevo e altitude. Com as informações em mãos, foram realizadas simulações no tempo presente, há seis mil anos e há 21 mil anos, no auge do período glacial. O objetivo era analisar quais áreas de mantiveram estáveis ao longo dos anos.

O resultado das análises mostrou que a vegetação do corredor central da Mata Atlântica é uma destas áreas estáveis, ou refúgios, como são chamados, por ter se mantido em pé durante todo este período, isolada de outras áreas, funcionando como uma ilha, um laboratório natural de experimentação evolucionária. Vale lembrar que as ilhas, como Galápagos, Maurício ou Bali, sempre desempenharam papel central no estudo da evolução por apresentarem grande incidência de especiações e endemismos. Charles Darwin e Alfred Wallace que o digam.

A porção sul do bioma, no entanto, não foi considerada estável pelos pesquisadores, por não apresentar continuidade genética ao longo das eras.

Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Trefau Rodrigues, co-autor do estudo, uma das hipóteses levantadas para esta instabilidade é que ela seja área de colonização recente. “Importante ressaltar que isso não quer dizer que a mata desapareceu dali durante os diferentes períodos geológicos. Não é possível saber isso, mas apenas que ela foi colonizada recentemente”, explica.

Outra pergunta que permaneceu sem resposta foi a idade deste bloco florestal estável. De acordo com Rodrigues, é possível que ele seja muito mais antigo do que a última data analisada, de 21 mil anos atrás. Mas isso necessitaria outro estudo. Por enquanto, o que os pesquisadores pretendem mostrar com seu trabalho, segundo Ribeiro, é que o sequenciamento genético pode ser uma ferramenta rápida para identificação da riqueza biológica das porções de mata que restam no país e que o pouco que restou da Mata Atlântica precisa urgentemente de proteção, para assegurar estes berçários de diversidade.

“Acho que a mensagem principal do trabalho é a de que a região central da Mata Atlântica - principalmente na Bahia - merece mais atenção do ponto de vista da pesquisa e conservação. Aumentar o número e a conectividade de reservas na região será um passo fundamental para a gente conseguir proteger - e estudar mais a fundo - a diversidade da região”, diz Ana Carolina Carnaval.

O artigo Stability Predicts Genetic Diversity in the Brazilian Atlantic Forest Hotspot estará disponível em breve na página da revista Science.